sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O Coro (de Alma Welt)

O canto da planície eu apreendi,
Seu coro visual ou seu entôo
Inaudível, mas que nítido senti
Observando os pássaros no vôo.

O vento em meus cabelos é a lira,
Em que pese o sabor parnasiano,
Pois deuses ainda há quem os prefira
Por mais simples, belo, ledo engano.

Envolta em natureza e sendo ela
Posso me encantar e ganhar tempo
Ou roubar do Tempo uma parcela.

E espero em meu último suspiro
(que não haja surdo contratempo)
Ouvir os sons do coro que admiro...

15/01/2007

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Amor, amores (de Alma Welt)

Coleciono amores com carinho
E nunca em pensamento os deserdei
Pois que ao respeitar o que amei
Não me perdi no meio do caminho.

Nenhum só jamais eu reneguei
Incluindo os que me foram infiéis,
Que do balanço d’alma só guardei
Um único amor em mil papéis.

Que importam faltas e fraqueza,
Os erros de pessoa e o sofrimento
Produzido por um doce sentimento?

O amor pouco deve ao ser amado,
Se ingênuo por mistério e natureza
Existe por que assim o quis o Fado.

(sem data)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Última Primavera (de Alma Welt)


                        Ofélia (ou a Morte de Alma Welt)- óleo s/ tela de Guilherme de Faria

A Última Primavera (de Alma Welt)

O que me guardará a primavera
Que é com certeza a derradeira
Já que a carta revelada, tão sincera
Me diz que não está pra brincadeira?

O meu jardim florido está deserto
Com as lindas crianças já crescidas,
Que já não as tenho tão por perto,
Que revoam, batem asas estendidas...

E se o meu perfil ainda comove
Por certo é a mim mesma que o faz
Se no espelhado lago ele se move.

Mas persisto em colher flores, tão Ofélia,
A me dizer que o espelho sempre traz
Sobre a face liquefeita uma camélia...


20/10/2006