Na vida, minhas etapas alteradas
A ordem tive, raiz dos dissabores
Profundos da alma, em trapalhadas,
A confundir ainda amor e amores.
Dei-me cedo, e guria fui mulher
Punida pelo amor tal qual foi Eva.
Desfolhada não joguei o mal-me-quer,
Que ser amada é só o que me leva.
E quanto paguei por minha virtude,
Como se crime fora ou só defeito
O que de melhor dei enquanto pude!
Depois, do Éden no Levante foi preciso
Chorar de dor o belo corpo rarefeito
De quem nos expulsou do paraíso...
03/04/2005
Nota
*Chorar de dor o belo corpo rarefeito *- Alma se refere à sua dor de ver sua mãe, que havia sido muito bela, definhar pelo câncer que afinal a matou. Ana Morgado, a "Açoriana" foi quem flagrou Alma e Rudolf ( Rôdo), crianças, brincando eroticamente sob a árvore favorita deles no pomar, e os puniu severamente, inclusive colocando Rodo num Internato, separando os irmãos por muitos anos... (Lucia Welt)
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
O Tempo suspenso (de Alma Welt)
Não me fales, amor, de um novo ano,
Não o vejo, vês, estou sonhando?
A coxilha corrobora o meu engano,
O próprio Tempo aqui sonha pairando,
Imóvel, suspenso, entorpecido,
A confundir os tempos e as idades,
Por isso este meu Pampa é dolorido
E pleno de guerras e saudades.
Anita veio esta manhã à revelia
Do sapateiro embriagado contumaz
E amor confidenciou-me, de guria,
Por aquele italiano belo e audaz
Que hasteou farrapos, como o Bento,
E no cais espera só soprar o vento...
09/07/2004
Não o vejo, vês, estou sonhando?
A coxilha corrobora o meu engano,
O próprio Tempo aqui sonha pairando,
Imóvel, suspenso, entorpecido,
A confundir os tempos e as idades,
Por isso este meu Pampa é dolorido
E pleno de guerras e saudades.
Anita veio esta manhã à revelia
Do sapateiro embriagado contumaz
E amor confidenciou-me, de guria,
Por aquele italiano belo e audaz
Que hasteou farrapos, como o Bento,
E no cais espera só soprar o vento...
09/07/2004
domingo, 3 de janeiro de 2010
Amores perdidos (de Alma Welt)
Amores perdidos não houveram,
Que amor não se deixa para trás...
Aquilo que fruímos, que nos deram,
De nós mesmos para sempre parte faz.
Por isso não há queixas ou lamentos
Que tenham validade ao coração
Que não os considera vãos momentos,
Os que se não renovam e que se vão
Como folhas de outono em ventania,
Leves, secas, mas douradas na feição
A fazer do próprio vento a alegria.
E se a árvore desgalhada permanece,
Com os membros retorcidos de aflição,
Faz-se inverno (talvez morra) e refloresce.
(19/10/2006)
Que amor não se deixa para trás...
Aquilo que fruímos, que nos deram,
De nós mesmos para sempre parte faz.
Por isso não há queixas ou lamentos
Que tenham validade ao coração
Que não os considera vãos momentos,
Os que se não renovam e que se vão
Como folhas de outono em ventania,
Leves, secas, mas douradas na feição
A fazer do próprio vento a alegria.
E se a árvore desgalhada permanece,
Com os membros retorcidos de aflição,
Faz-se inverno (talvez morra) e refloresce.
(19/10/2006)
Assinar:
Comentários (Atom)